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ESTUDO DA DECO

Carnes picadas

 

ESTUDO DA DECO

Carnes picadas

 

A DecoProteste realizou um trabalho sobre a qualidade da carne de vaca picada comercializada em 34 talhos da zona da Grande Lisboa e do Grande Porto e os resultados foram “inquietantes”.

Conservação a temperaturas elevadas, más prestações na higiene e conservação e utilização de sulfitos são o cenário encontrado em 34 amostras de carne previamente picada, vendida a granel em talhos da Grande Lisboa e Grande Porto. Segundo a DecoProteste, a qualidade nutritiva deixa muito a desejar, além de que foram detectadas carnes de outras espécies (como de aves, suíno e caprino).

 

Nenhuma amostra de carne de vaca picada testada passou na avaliação em laboratório. Segundo a lei, a carne picada deve ser conservada, no máximo, a 2° C. Mas qualquer analogia com a realidade verificada é pura ficção: só 8 estabelecimentos respeitavam a lei. Os restantes 26 revelaram temperaturas superiores. Na Grande Lisboa, a média foi de 4,6° C e, no Grande Porto, de 6,3° C. Na maioria, a temperatura indicada nos expositores era bastante inferior às medições efectuadas.

 

Para avaliar a higiene e conservação, foram realizadas análises microbiológicas: nenhuma amostra de carne picada passou no exame. Um panorama abundante de microrganismos, alguns potencialmente patogénicos. Por exemplo, quase um quarto das amostras continha Salmonella, desrespeitando a lei. Para além da salmonella (encontrada em 25% das amostras) e da listéria monocytogenes (em 35%), foram detectados na carne picada indicadores de contaminação fecal como o E.coli, e “elevado número de bactérias”.

 

Os sulfitos, conservantes usados como inibidores de microrganismos, são interditos na carne picada, pois restauram a cor primitiva e dão a aparência de produtos frescos, quando podem não o ser. São, portanto, enganosos. Não só 60% das amostras continham estes aditivos, como as quantidades utilizadas eram enormes. Os sulfitos podem causar dores de cabeça, náuseas, problemas cutâneos ou digestivos e crises de asma em pessoas sensíveis. A indicação da sua utilização nos alimentos é obrigatória, devido ao seu potencial alergénico.

 

A qualidade nutritiva das amostras analisadas levanta algumas dúvidas, sobretudo ao nível da gordura e da proteína. Com frequência as amostras de carne picada apresentavam teores elevados de gordura (chegou a superar os 20%) e, por vezes, proteína de pouco valor alimentar, proveniente de tecidos conjuntivos, como o colagénio.

 

Vestígios de outras espécies, como carne de aves, suíno e caprino, levantam questões sobre o cuidado que os estabelecimentos têm, por exemplo, com a limpeza dos equipamentos.

 

A DecoProteste já fez comunicação dos resultados do estudo à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), à Secretaria de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar e aos grupos parlamentares. Perante os resultados esta Associação pretende que seja proibida a venda de carne previamente picada a granel, sendo autorizada apenas a venda de carne picada à vista e a pedido do consumidor.

 

 

 

ESTUDO DA DECO

Reacções

 

Em declarações à Lusa, a propósito do estudo da DECO que desaconselha o consumo de carne picada vendida a granel, por considerar que esta pode causar problemas de saúde pública, o Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação, Nuno Vaz Baptista de Vieira e Brito, assegurou que o Governo vai mandar fazer análises comparativas e aumentar a fiscalização. “Ainda não recebemos o estudo, mas quando isso acontecer vamos analisá-lo. Entretanto, aconselhamos as pessoas a levar a cabo duas medidas essenciais: mandar picar a carne no momento da compra e ter cuidados na sua confecção”, salientou o Secretário de Estado.

 

Por seu turno, o inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) garantiu que aquele organismo mantém “uma vigilância muito apertada” ao sector das carnes e considerou que o estudo da DECO sobre carne picada serve de “alerta”. “Quer a ASAE, quer as restantes entidades públicas, mantêm uma vigilância muito apertada de mercado sobre esse sector das carnes”. O inspector-geral da ASAE lembrou que, “para corresponder a exigências comunitárias”, a ASAE “faz algumas dezenas de análises por ano a produtos trabalhados da carne, derivados da carne – almôndegas, hambúrgueres, salsichas frescas, entre outros”.

 

Sobre o estudo da DecoProteste, António Nunes considerou que este trabalho “serve como pista, como alerta, mas não como uma conclusão definitiva sobre a matéria”, enquanto Nuno Vieira e Brito esclareceu: “Não vamos tomar medidas precipitadas sem ter dados concretos. Primeiro vamos analisar bem e em concreto o conjunto de informação que recebemos para então tomar as medidas correctas”.

Data: 22-Fev-2013Imprimir
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